Do elegante ao grotesco

Sou fascinado por lutas de boxe. Ver os dois lutadores se estudando e dançando para buscar o melhor ângulo é o máximo. Ainda pequeno, me lembro brincar que era Mike Tyson, o maior nome do esporte no meu tempo. Já adulto, lendo alguns livros de Ernest Hemingway, vi que o esporte fascinava mais pessoas. Em Paris é uma festa, o escritor americano fala de bares parisienses que mantinham um ringue nos fundos, para entreter os clientes e aumentar um pouco mais a renda dos garçons que lutavam ao final do expediente.

Mas, sinceramente, eu não entendo o tal do MMA. Uma mistureba de luta livre, jiu-jitsu, karatê e boxe tailandês. Para mim aquilo e uma pancadaria sem nenhum refinamento, pois não consigo identificar nenhuma das técnicas das lutas citadas acima. É algo grotesco que deveria ser proibido de ser transmitido, pois incita a violência da forma mais medíocre e covarde.

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Diários de Heavy Metal

Parte II – O primeiro Show

No início da década de 1990, talvez pela repercussão de toda barulheira dos anos 1980, a prefeitura de Belo Horizonte incentivava, e muito, as diversas tribos de rock da cidade, principalmente para o Heavy Metal. Foi em um desses festivais que eu me vi em meio a um grande show, não de uma banda de renome, mas com um grande público. Em 1993 havia a festival Estação do Rock, que era realizado na Praça da Estação.

Não me lembrava de ter visto nada parecido. O máximo de Headbangers que eu tinha visto juntos foi no colégio, uns doze. Mas a praça estava abarrotada de camisas pretas, com demônios e símbolos pagãos, nomes de bandas e caveiras estilizadas. Era o paraíso para mim, que nunca tinha visto nada igual. Até mulheres que ouviam música pesada tinha por ali, coisa que para mim era algo inimaginável.

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Bram Stoker e seus vampiros

Estava sentindo falta de um filme de vampiros clássicos, do tipo Bram Stoker. Falem o que quiserem, mas um bom filme com vampiros que seguem as “regras” que foram estipuladas pelo irlandês na bíblia do vampirismo, Drácula, é o que há. Sem essa de vampiros que brilham no sol, que sejam bonzinhos a ponto de rejeitar sangue humano e com tendências homossexuais enrustidas. Vampiros são maus e ponto final.

Se você tem ainda tem dúvidas pode ter certeza agora, estou falando do remaker do clássico oitentista A hora do espanto (Fright Night). Na trama, o vampiro Jerry (Colin Farrell) muda-se para um bairro na periferia de Las Vegas. Um bairro novo, isolado do restante da cidade que para chegar qualquer socorro demoraria muito. Ele se torna vizinho de um ex-nerd Charley Brewster (Anton Yelchin) que é avisado por um amigo da condição de Jerry. Ao invés da clássica capa e termo bem alinhados, o vampiro agora usa uma camiseta regata e um jeans justo para seduzir suas vítimas. Muitas atualizações foram muito bem vindas. O fato da namorada de Charley não ser mais uma mocinha em apuros também foi muito bem vindo.

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Puro Gonzo, Gonzo Jornalismo!

Logo nas primeiras páginas de Medo e delírio em Las Vegas (1971), Hunter S. Thompson deixa claro a que veio: escrever de forma direta, sem rodeios e, na maioria das vezes, chapado. Aquilo que ele fazia por diversão se tornou coisa séria. Na faculdade, entre outros gêneros jornalísticos, o Jornalismo Gonzo de Thompson me encantou tanto quando o New Journalism de Capote, Mailer, Talese e Wolf.

Para mim, ficou claro que aquilo que ele havia criado em suas viagens regadas a ácido, cocaína e outras drogas pesadas, era a droga mais viciante. Sem cerimônias, ele se colocava no meio de todas as suas histórias. O afastamento que eu tinha aprendido ser essencial para uma matéria bem feita, ele jogava na sarjeta. Em muitas de suas reportagens ele mostra como a sociedade americana é preconceituosa e elitista. Não é a toa que o ex-presidente americano George W. Bush foi alvo de um de seus últimos livros: Reino do Medo (2003). Neste livro ele critica duramente Bush filho por implantar o medo na sociedade americana para deixá-la estática enquanto ele faz o que bem entender.

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Adorável bêbado

Charles Bukowski tinha orgulho de ser um bêbado vagabundo durante sua juventude. A maior parte da obra desse autor americano é autobiográfica. Ele conta como sua vida foi influenciada por um pai que o espancava e uma mãe conivente, com o preconceito de seus colegas de escola e com seus medos e delírios.

Não podia dar outra, o jovem que tinha um grande potencial, principalmente nas redações escolares, se transformou no bêbado mais prestigiado de todos os tempos. Em um de seus livros, Hollywood, ele fala abertamente que sente saudades da época que era jovem e tinha saúde o suficiente para se manter bêbado o dia todo e brigar com outros bêbados e garçons dos bares que freqüentava.

A primeira vista pode parecer chato o cara ficar falando da própria vida na terceira pessoa (Bukowski criou o personagem Henry Chinaski para viver suas desventuras), mas a forma que o autor coloca tudo isso no papel e formidável. Não é, nem de longe, uma narrativa chata e entediante. Pelo contrário, faz com que você o odeie em uma página e o ame na outra.

Para quem gosta de uma literatura politicamente incorreta e para maiores de 18 anos, fica a dica de leitura.

Romances:

  • Cartas na Rua. São Paulo: Brasiliense, 1983. (edição original 1971)
  • Factotum. São Paulo: Brasiliense, 1985. (ed. original 1975)
  • Mulheres. São Paulo: Brasiliense, 1984. (ed. original 1978)
  • Misto quente. São Paulo: Brasiliense, 1984. (ed. original 1982)
  • Hollywood. Porto Alegre: L&PM, 1990. (ed. original 1989)
  • Pulp. Porto Alegre: L&PM, 1995. (ed. original 1995)

Contos e poesias:

  • Ao Sul de Lugar Nenhum – Histórias da Vida Subterrânea. Porto Alegre: L&PM, 2008.
  • O Amor é um Cão dos Diabos. Porto Alegre: L&PM, 2007.
  • Vida desalmada. Florianópolis: Spectro, 2006.
  • Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém. Curitiba: 7 Letras, 2005.
  • Tempo de vôo para lugar algum. Florianópolis: Spectro, 2004.
  • Hino da Tormenta. Florianópolis: Spectro, 2003.
  • Os 25 Melhores Poemas de Charles Bukowski. Rio de Janeiro: Bertrand, 2003.
  • O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio. Porto Alegre: L&PM, 1999.
  • A mulher mais linda da cidade. Porto Alegre: L&PM, 1997. (coletânea)
  • Numa Fria. Porto Alegre: L&PM, 1993.
  • N.York, 95 cents ao dia. Porto Alegre: L&PM, 1991 (quadrinhos).
  • Delírios Cotidianos. Porto Alegre: L&PM, 1991 (quadrinhos).
  • Fabulário Geral do Delírio Cotidiano. Porto Alegre: L&PM, 1986.
  • Notas de um velho safado. Porto Alegre: L&PM, 1985.
  • Crônica de um amor louco. Porto Alegre: L&PM, 1984
  • Bukowski – Textos Autobiográficos. Porto Alegre: L&PM, 2009
  • Pedaços de um caderno manchado de vinho. Porto Alegre: L&PM, 2010

Transformers III – O lado escuro de Hollywood

Michael Bay provou que filme com bom roteiro não é o seu forte. Em Transformes II, ele deixa claro que é um diretor que foca sempre na ação, e, para variar, o roteiro é secundário. Agora, na continuação da franquia, Transformes III – O lado escuro da lua, ele tenta, apenas tenta, trazer ao público um pouco de argumentos. Claro, toda a trama que ele arma serve apenas para justificar os (pasmem!) 40 minutos de ação entre Autobots e Decepticons que é, claramente, o ápice de toda a trama.

Para quem gosta de um filme de ação com explosões, lutas e algum humor vai se divertir muito. Quem assistir a película com olhar um pouco mais crítico, vai ver um filme com falhas, principalmente no roteiro, e na atuação dos personagens (Bay nunca foi um diretor de personagens). Há uma clara tentativa de se colocar uma interpretação de verdade com a presença de Jonh Malkovich, que não passa de um personagem secundário e desaparece logo que se passa por um louco de peruca na frente de Bumblebee.

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Diários de Heavy Metal

Parte I – O início

Calças jeans desbotadas e rasgadas, camisas pretas com demônios e nomes ilegíveis, atitude rebelde (quem nunca teve sua fase rebelde?) e muita, mas muita, música pesada. Foi assim que passei a minha adolescência. Não me lembro quando começou, mas sei como e que foi muito cedo (talvez em meus doze ou treze anos). Me lembro de quais as primeiras bandas me influenciavam e por que. Tudo começou com o Rock in Rio II. Assim como a primeira edição do festival, esta reedição mudou a forma que o país enxergava a música pesada. Apesar de a primeira edição ser um marco da democracia no país, pois saiamos de uma ditadura militar que vigorava desde 1964.

Meu primeiro Rock ficou por conta de bandas emergentes do início da década de 1990, como Guns n’ Roses, Faith No More, Nirvana e outras. De qualquer forma, nunca voltei a ser o mesmo após conhecer o velho e bom Rock n’ Roll. Passei a ter mais atitude e, até certo ponto, um pouco de preconceito com as outras músicas que não fossem forte como a que eu escutava. Talvez esta fosse o único ponto em que eu não me orgulho muito daquela época. Hoje, com uma bagagem sonora mais eclética não tenho vergonha de falar que gosto de vários ritmos. Que falo que gosto o que sonoramente não agride meus ouvidos e minha inteligência.

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