Os clássicos são eternos

Ontem pela manhã, a caminho do trabalho, escutei o álbum Abbey Road dos Beatles. Não teve como deixar de pensar em tudo que é clássico; na verdade, comecei a pensar no que se enquadra como clássico. Que uma obra pode ser clássica no cinema, na música, na arte e na literatura.

Clássico, por definição, é a obra de um autor que se tornou um modelo de inspiração; que se mantém ao longo dos tempos; que vigora ou é preservado por várias gerações, segundo o dicionário Aulete. Sendo assim, clássico é algo que sempre é lembrado e serve como modelo para as gerações seguintes.

O que seria clássico então? Talvez o álbum dos Beatles, Abbey Road, o Led Zeppelin IV da banda Led Zeppelin, Guerra e Paz de Leon Tolstoi, Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa, clássicos da literatura mundial; a Mona Lisa de Leonardo Da Vinci, clássico da pintura; os filmes Casablanca e Cidadão Kane, respectivamente dos diretores Michael Curtiz e Orson Welles, clássicos do cinema. Não para aqui, a lista poderia ser bem maior.

Mas por que tive tal epifania sobre os clássicos? Bem, talvez por que vivemos, hoje, uma época onde tudo tem prazo de validade. É não foi a internet a grande causadora de tudo. Lembro-me que nos anos 1990 já se pregava esta cultura descartável. Bandas de Axé e pagode que pareciam ser o ápice do estilo desapareceram quase que por completo. Com o advento da internet, o problema da cultura descartável apenas se acentuou, tornou-se mais evidente.

Mas se a internet foi apenas um ponto de aceleração para a cultura se tornar obsoleta em pouco tempo, o que de fato fez com que isso acontecesse? Em minha opinião, estamos perdendo a capacidade de “ruminar idéias”. E isto não é novo. Friedrich Nietzsche (15/10/1884 – 25/08/1900) importante filósofo alemão, foi quem primeiro percebeu tal fenômeno. Mas, de fato, o que é “ruminar idéias”? É a capacidade que temos de refletir, de pensar exaustivamente em cima de algo até que se ache uma solução ou um contraponto.

O que nos leva a tal condição (novamente, em minha opinião) é o nosso modo de perceber o tempo. Cada vez temos menos tempo para tudo, sendo assim, menos paciência para fazer uma cultura que seja mais sólida. É quase impossível que apareça outro escritor nos moldes de Guimarães Rosa ou Machado de Assis ou músicos que criem pensando em como seus trabalhos podem repercutir no tempo.

A verdade é que somos bombardeados por tanta informação com tão pouco cuidado, que nos tornamos impacientes com a cultura que já foi segmentada. Talvez os grandes músicos, escritores e artistas tenham desaparecido com o século XX. Mas ainda resta um pouco de solidez em alguns pontos da cultura mundial. Mas esta tudo mudado, dos valores humanos à vida cotidiana. Com disse uma vez Renato Russo, “o futuro não é mais como antigamente”. Ainda bem que existem os clássicos para nos lembrarmos que já fomos mais criativos.

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Capa do album Abbey Road dos Beatles

 

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Tirinha dos site www.malvados.com.br

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