Diários de Heavy Metal

Parte I – O início

Calças jeans desbotadas e rasgadas, camisas pretas com demônios e nomes ilegíveis, atitude rebelde (quem nunca teve sua fase rebelde?) e muita, mas muita, música pesada. Foi assim que passei a minha adolescência. Não me lembro quando começou, mas sei como e que foi muito cedo (talvez em meus doze ou treze anos). Me lembro de quais as primeiras bandas me influenciavam e por que. Tudo começou com o Rock in Rio II. Assim como a primeira edição do festival, esta reedição mudou a forma que o país enxergava a música pesada. Apesar de a primeira edição ser um marco da democracia no país, pois saiamos de uma ditadura militar que vigorava desde 1964.

Meu primeiro Rock ficou por conta de bandas emergentes do início da década de 1990, como Guns n’ Roses, Faith No More, Nirvana e outras. De qualquer forma, nunca voltei a ser o mesmo após conhecer o velho e bom Rock n’ Roll. Passei a ter mais atitude e, até certo ponto, um pouco de preconceito com as outras músicas que não fossem forte como a que eu escutava. Talvez esta fosse o único ponto em que eu não me orgulho muito daquela época. Hoje, com uma bagagem sonora mais eclética não tenho vergonha de falar que gosto de vários ritmos. Que falo que gosto o que sonoramente não agride meus ouvidos e minha inteligência.

Talvez eu tenha começado a ouvir música pesada na última década do verdadeiro Rock n’ Roll. Levando em conta que tudo começou em 1950 com Elvis Presley e seguiu nas décadas seguintes com The Beatles, Led Zeppelin, Black Sabbath e outros nomes importantes, a década de 1990 deu espaço para os últimos álbuns que podem ser chamados de clássicos. Nesta mesma década o Metallica lançava o Black Album (1991), que se tornou um dos mais vendidos na história; o Megadeth com seu Rust in Peace (1990) se tornava, então, mais pesado que o Metallica (como prometera uma década antes o vocalista Dave Mustaine), o Judas Priest lançava o Painkiller (1990) e o Sepultura com seus melhores discos Arise (1991) e Chaos a.D. (1993). Devo deixar claro aqui que pouca coisa me surpreendeu no novo milênio; muita gente fazendo Rock sem nenhuma noção, sem conhecer o que já foi feito e consolidado como clássico para se ter como base (já discuti aqui o que o termo clássico significa).

Toda esta música pesada ajudou a moldar a pessoa que sou hoje. Muitas das escolhas que fiz em minha adolescência foram motivadas pela música pesada, que esteve comigo o tempo todo. Ao escrever esta crônica, me lembro do depoimento de Rob Zombie no documentário de Sam Dunn Metal: A Headbanger’s Journey, onde Zombie define o fã de metal como um incompreendido pela sociedade. Claro, por ser mais baixo que meus colegas de classe, por preferir ler Júlio Verne e estudar sobre civilizações antigas do que frequentar baladas e tal, eu era discriminado (leia bullying aqui). Quem me salvou de ser um medíocre foi o metal, não tenho dúvidas.

Mas como surgiu a idéia de evocar do passado as minhas experiências com a música pesada? Bem, foi quando me dei conta de que sou o que sou hoje por conta das minhas escolhas, e que a música (assim como a literatura e o cinema) teve muita influência para isso. E mesmo agora, já com mais de trinta anos, busca uma fuga da minha rotina na música. Afinal, quem nunca sonho sem ser um Rockstar?

Próximo capítulo: O primeiro show

 

Metallica – Enter Sandman

 

Megadeth – Holy Wars…The Punishment Due

 

Judas Prieste – Painkiller

 

Sepultura – Refuse/Resist

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