Transformers III – O lado escuro de Hollywood

Michael Bay provou que filme com bom roteiro não é o seu forte. Em Transformes II, ele deixa claro que é um diretor que foca sempre na ação, e, para variar, o roteiro é secundário. Agora, na continuação da franquia, Transformes III – O lado escuro da lua, ele tenta, apenas tenta, trazer ao público um pouco de argumentos. Claro, toda a trama que ele arma serve apenas para justificar os (pasmem!) 40 minutos de ação entre Autobots e Decepticons que é, claramente, o ápice de toda a trama.

Para quem gosta de um filme de ação com explosões, lutas e algum humor vai se divertir muito. Quem assistir a película com olhar um pouco mais crítico, vai ver um filme com falhas, principalmente no roteiro, e na atuação dos personagens (Bay nunca foi um diretor de personagens). Há uma clara tentativa de se colocar uma interpretação de verdade com a presença de Jonh Malkovich, que não passa de um personagem secundário e desaparece logo que se passa por um louco de peruca na frente de Bumblebee.

Algumas falhas claras cronologia envolvendo os dois filmes anteriores não podem deixar de serem ditas aqui. A primeira delas é com relação à nave de Sentinel Prime (Leonard Nimoy, sim o Spock de Jornada nas Estrelas!) que havia caído na lua décadas antes do primeiro filme, e, para minha surpresa, os Decepticons já sabiam da tal nave e nada foi dito anteriormente. Se o poder da tal nave era tão grande, por que ir atrás do cubo ou da adaga que recarrega o aparelho de matar planetas?

Outra coisa que me incomodou muito: Como o garoto que salvou o planeta por duas vezes não consegue um emprego descente? Ficou muito estranho que Sam fosse uma espécie de gigolô de sua namorada e um total fracassado mesmo após se formar em uma faculdade renomada. A total falta de coerência do filme só é abatida pela tecnologia utilizada por Bay. O 3D que o diretor utiliza ficou ótimo. Todas as cenas ficaram muito boas com o poder de profundidade que a tecnologia 3D permite utilizar.

Bem, exigir coerência de um diretor que precisa que seu produtor demita a atriz principal (Megan Fox foi substituída por Rosie Huntington-Whiteley por não conseguir se relacionar com o restante do elenco e da equipe de produção). Que não tem controle sobre o roteirista que, mesmo após dois filmes, continua a investir em piadas sem graça e frases extraídas de livros de auto-ajuda, fica difícil.

Se você gosta de filmes descartáveis, daqueles que você só se lembra quando chega à locadora ou passa na Tela–Quente, vale a pena assistir, nem que seja pelo 3D, que ficou realmente muito bom. Hollywood continua a produzir perolas que denigrem a imagem do cinema americano como nunca, ou como sempre.

 

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