Sou fascinado por lutas de boxe. Ver os dois lutadores se estudando e dançando para buscar o melhor ângulo é o máximo. Ainda pequeno, me lembro brincar que era Mike Tyson, o maior nome do esporte no meu tempo. Já adulto, lendo alguns livros de Ernest Hemingway, vi que o esporte fascinava mais pessoas. Em Paris é uma festa, o escritor americano fala de bares parisienses que mantinham um ringue nos fundos, para entreter os clientes e aumentar um pouco mais a renda dos garçons que lutavam ao final do expediente.
Mas, sinceramente, eu não entendo o tal do MMA. Uma mistureba de luta livre, jiu-jitsu, karatê e boxe tailandês. Para mim aquilo e uma pancadaria sem nenhum refinamento, pois não consigo identificar nenhuma das técnicas das lutas citadas acima. É algo grotesco que deveria ser proibido de ser transmitido, pois incita a violência da forma mais medíocre e covarde.
Tudo bem, o boxe não é nenhuma dança clássica. É violento quando tem que ser, mas é elegante na maioria das vezes. Os passos ensaiados, os golpes ritmados e a forma que os adversários se estudam não têm nada haver com força ou violência. É uma coreografia quase ensaiada, quase combinada. Não fossem os golpes violentos, em lugares estratégicos, poderia ser comparado ao famoso balé russo, e seria quase uma dança clássica sim.
Sem falar que o boxe faz parte da história. A luta do século (e pelo jeito dos séculos que virão, pois o esporte esta em queda) entre Mohamed Ali e George Foreman representou mais que dois homens em cima de um ringue. Mais que violência gratuita, representou a luta por liberdade dos negros norte-americanos, que, até hoje, passam por poucas e boas em seu próprio país. Nunca, e isso é quase uma certeza, nenhuma luta de MMA (e mesmo de boxe) terá tanto a representar.
Recomendo aos leitores desde blog, que gostem ou não de boxe ou MMA, que leiam o livro A Luta, do jornalista e escrito Norman Mailer, que esta sendo relançado com nova diagramação e formato pela Companhia das Letras. Talvez vocês entendam um pouco sobre o que eu estou falando.
A luta (The Fight)
Norman Mailer
Companhia de Bolso
Páginas: 232
Gênero: Jornalismo Literário
Valor: R$24,00