No Brasil tivemos quatro grandes movimentos musicais. O primeiro deles, e talvez um dos mais reconhecidos, foi a Bossa Nova que se iniciou no final da década de 1950 no Rio de Janeiro. Os grandes nomes deste movimento são: Tom Jobim, João Gilberto, Vinícius de Morais e Luiz Bonfá. As letras das músicas eram embasadas na literatura e na vida cotidiana da Cidade Maravilhosa. Como músicos, tinham a música clássica com inspiração.

Um outro movimento foi o Clube da Esquina. Este, bem conhecidos de nós mineiros, teve seu início em Belo Horizonte. Os principais nomes são: Milton Nascimento, Marilton, Márcio e Lô Borges (os três são irmãos), Beto Guedes, Flávio Venturini, Toninho Horta, Fernando Brant, Tavinho Moura e Wagner Tiso. Foi após assistir a um filme do cineasta francês François Truffaut – o filme era Jules e Jim – que os irmãos Borges e Milton resolveram iniciar o Clube da Esquina. Eram inspirados, visivelmente no rock inglês.

No final da década de 1960, o surgiu o Movimento Tropicalista. Nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, Tom Zé e Os Mutantes faziam parte deste movimento. As músicas eram consideradas subversivas pelos militares, que deram o golpe no ano de 1964. A inspiração destes era claramente o rock psicodélico e pelo movimento Hippie que tinha chegado ao seu auge no verão de 1969 com o concerto de Woodstock. Para quem não conhece o estilo musical, basta dizer que o Led Zepplin era o maior nome da época.

O último movimento, e não menos importante, aconteceu no início da década de 1990 com Chico Science na liderança. Sim, o Movimento Manguebeat é considerado o último grande movimento musical brasileiro. E, talvez, o mais brasileiro dos quatro. Pois fala da vida do homem nordestino, fala da convivência do com o lixo que a sociedade produz e utiliza instrumentos e ritmos tipicamente brasileiros, como o maracatu.

Bem, chegamos aos anos 2000 e nenhum grande movimento se manifestou. O que terá acontecido com nossos músicos? Os anos 1980 tiveram seu movimento também, mais voltado para o Rock com Legião Urbana e cia. Mas não tiveram repercussão mundial como os outros quatro. Talvez o grande movimento (digo grande em relação ao tamanho e não a qualidade) seja o Funk Carioca. Em todo lugar se ouve este tipo de música que não tem embasamento em nada. E quando digo em nada, falo nada mesmo. Pois é fora da realidade você sair chamando as mulheres de cachorras e outros nomes que, para mim, apenas banalizam as mulheres. Enquanto os outros movimentos se preocupavam com a política brasileira, com a vida das pessoas e com outros assuntos relevantes ao cotidiano, este novo movimento se preocupa em falar apenas de sexo. Fico pensando o que Tom Jobim falaria destas geração que não tem identidade e nem ideologia.